domingo, 17 de agosto de 2014

E o que vale na vida?

A primeira vez que vi um ente querido partir, ainda tinha cinco anos de idade. Minha bisavó, que tanto me amava, ia embora e para mim ela estava apenas dormindo. As crianças têm um jeito maravilhoso de ver, sentir e avaliar situações. Os anos se passaram e eu percebi que ela não voltou para casa. Foi aí que entendi: um dia as pessoas morrem. E passei a ter medo da morte e a me julgar incapaz de suportá-la. Mas os anos se passaram e em 2007 a vida me mostrou que a morte é um momento dificílimo, mas inevitável e que só Deus é capaz de nos consolar. Perdi fisicamente meu primo-irmão e junto boa parte de mim mesma, que jamais consigo recompor. 
Enxergando Deus!
O click é de Marcio Rocha
A saudade e a incompreensão eram tamanhas. Se não fosse a noção de imortalidade da alma, eu não estaria suportando essa saudade. Foi aí que me dei conta de que a morte não precisa do nosso medo e sim da nossa compreensão, do nosso equilíbrio. Em 2010, quando meu avô (pai) precisou partir, a tristeza se aproximou novamente, mas eu já sabia que, para os que se amam, não há morte. Há sim uma breve separação, pois os verdadeiros laços continuam firmes.

A nossa existência é, de fato, cheia de surpresas. Enquanto pessoas vão, outras vêm e assim segue o ciclo da vida. E às vezes esse ciclo é curto para alguns, longo para outros, mas não importa: o ciclo acontece. Por isso, fico pensando: o que vale mesmo na nossa vida? Agora, estamos aqui. Daqui a pouco, talvez não. E o que vale na vida? O que fazemos de (genuinamente) bom para nós e para os outros. Vale o simples, o amor, o bem viver. Vale viver, vale, como disse Renato, "amar as pessoas como se não houvesse amanhã"...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Finalmente, é hora de realizar mais um sonho!

Engraçado... Há uns 13 anos, eu sonhava exatamente com o que estou prestes a realizar agora. Aos 8 anos de idade, vibrando a infância que me era permitida ter, em meio aos afazeres e responsabilidades da casa, eu já pensava em ser jornalista. Enquanto as crianças assistiam aos desenhos animados, minha mãe saía para trabalhar e eu deixava o rádio ligado, para continuar acompanhando, como de costume, o programa do radialista Gilmar Carvalho. 

Aos 4 ou 5 aninhos! 
Quem visse a cena, certamente diria: essa criança não é normal. Talvez eu não fosse mesmo! No meu mundo, transformava as escovas de cabelo em microfone e passava de repórter a apresentadora num piscar de olhos. Quanta agilidade, meu Deus! E como se não bastassem os treinos diários em casa, descobri, bem depois, que algumas palavras, ditas por um repórter fotográfico quando eu tinha 3 a 4 anos, já sinalizavam que este era o caminho a seguir. Segundo contou minha mãe, esse homem, que até hoje não sabemos o nome, olhou para mim e disse: essa menina ainda vai ser uma grande jornalista! Ele foi generoso demais. Queria tê-lo conhecido, para poder dizer ao menos um "muito obrigada"! 

Hoje, vejo que a busca pela realização do "ser jornalista" me deixa lições valiosas. Sonhei, quis e quero tanto ser jornalista que hoje, há aproximadamente seis meses para a conclusão do curso, tenho a certeza de que não há obstáculo que não possa ser ultrapassado. Os muitos anos de estudo para entrar nas universidades, depois esses quase quatro anos de vida acadêmica e, agora, esta nova etapa que se aproxima me revelam não apenas a necessidade do esforço, determinação, mas ratificam ainda que as conquistas, para valerem a pena, precisam mesmo de umas doses de dificuldade, para que possamos valorizá-las plenamente.

A história, obviamente, não acaba aqui... Estou prestes a iniciar o último período da Universidade e outros desafios virão. E é claro que, em todos esses anos, existem muitas outras histórias que, quando tiver um tempo, quem sabe eu possa registrar no blog também... Mas, só pra finalizar o papo de hoje, sabe o que eu realmente me pergunto? Se fui eu quem sonhei ser jornalista ou se foi Deus quem sonhou e está realizando por mim... A Ele, minha eterna gratidão de filha. Vamos em frente!


sábado, 21 de junho de 2014

A bola, a cesta e a lição

Não lembro bem que ano foi aquele, mas acredito que eu estava cursando a 7ª série, hoje 8º ano do Ensino Fundamental no Colégio Salesiano. As aulas de Educação Física sempre foram, para mim, um tormento. Além das pernas finas (à época, mais finas do que são hoje) que teriam de ficar à mostra por causa do short, minha falta de habilidade com a prática esportiva era latente. Não tinha jeito. Por mais que eu tentasse, eu tinha medo da bola, da rede, das cestas. 

A professora Cida, depois de, sem sucesso, insistir para que eu participasse das aulas, decidiu me compreender. Em um dia de aula, tamanho foi meu alívio. “Você é das letras, pode ficar na arquibancada”. Sorri, feliz da vida. Ao menos naquele ano, estaria livre das aulas. Embora com nota reduzida, não ganharia faltas, desde que estivesse lá no horário. Trato feito.

Passou. Passei de ano, sem reprovar em Educação Física, o que seria uma tremenda vergonha. Não que eu esteja desmerecendo a matéria. Não é isso. Mas a magrela, que passava na “bruxa” Matemática, reprovaria em Educação Física? Era preguiça? Não, não era. Era vergonha pelo meu físico pouco atraente e completa inabilidade. Nada mais!

No ano seguinte, o professor Jorge passou a ser o responsável pela matéria. Lá iria eu, de novo, travar uma negociação com o professor, na tentativa de, assim como antes, me livrar das aulas. Sem sucesso. Professor Jorge disse que eu teria que fazer a aula, sim senhora! Como tive raiva! Mentalmente o xinguei muito, mas hoje, o agradeço, pois tive a oportunidade de retirar uma grande lição daquelas aulas. Vejam só…

Em uma manhã, era o dia de a turma treinar basquete. Para mim, não fazia tanta diferença. Não gostava nem de vôlei, nem de handebol, muito menos futsal. Com o basquete não era diferente. Naquela aula, o professor Jorge preparou o circuito e formou uma fila com os alunos. Após o alongamento, teríamos que tentar acertar a bola na cesta. Olhei para cima. “Como é alta! Não vou acertar nunca!”, pensei comigo. Lembrei das aulas com meu primo-irmão Arthur. Ele sabia da minha aversão à prática esportiva e me disse: “No basquete, tente jogar a bola no quadrado. É quase certo você fazer a cesta. Não é difícil, Lays.”. Era difícil sim, Arthur. E como era. Mas me lembrei do conselho dele. Não tinha outra alternativa a não ser, ao menos, tentar.

A fila andava. Meus colegas, em sua maioria, acertavam a bola na cesta. Quanto mais minha vez se aproximava, mais eu ia para o final da fila. O “Pode passar” funcionava, a não ser que eu encontrasse um(a) colega tão tímido(a) quanto eu. Mas depois de adiar o quanto pude, chegou a minha vez. Baixinha, magricela, com a bola na mão. Me posicionei, conforme orientou o professor. Lembrei das dicas de Arthur. O professor apitou. “Vai, Lays!”. Nada. Faltava coragem. “Vaaaaiiiii, Lays!”. Fui. Joguei a bola e ela caiu na cesta, certinho. “Acertei, professor!”. Vibrei! A bola caiu no chão e eu fiquei parada, observando. Tomei um susto, depois, com o grito do professor: “Vai, Lays! Dê a bola para o colega!”. Rsrsrsrsrsrsr Passei a bola e fui novamente para o final da fila. Tentei outras vezes, errei. 

Mas quando resolvi, decididamente, tentar da primeira vez, consegui. Percebi que o medo é o nosso grande adversário. Como temos medo na vida, não é verdade? E esse medo, muitas vezes (ou na maioria delas) é o nosso maior inimigo. É o medo, a vergonha que nos faz pensar que não podemos, que não iremos conseguir. Depois daquele dia, eu continuei achando péssima a ideia de participar das aulas de Educação Física, mas concluí que poderia vencer qualquer obstáculo na vida. Bastava querer.
E tentar!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Refletindo...


Silenciar. Pôr filtros nos ouvidos. Desligar os celulares, desconectar, ouvir música bem alto sem se preocupar com nada. Cultivar o autocontrole. Energizar positivamente a mente. 
Construir em torno de minha vida, quando for oportuno, uma grande muralha, onde apenas uma porta dará acesso para que entre o que e quem eu desejar. 
Por vezes, fechar os olhos e, ao invés de olhar o mundo lá fora, olhar meu mundo, aqui dentro, e perceber que o tenho o controle. Enfim, a descoberta: Um Ser, maior que tudo e todos, me deu um grande poder: o livre-arbítrio. E é através dele que eu posso ser feliz!

(Aracaju, em uma noite de reflexão, 2014...)