A primeira vez que vi um ente querido partir, ainda tinha cinco anos de idade. Minha bisavó, que tanto me amava, ia embora e para mim ela estava apenas dormindo. As crianças têm um jeito maravilhoso de ver, sentir e avaliar situações. Os anos se passaram e eu percebi que ela não voltou para casa. Foi aí que entendi: um dia as pessoas morrem. E passei a ter medo da morte e a me julgar incapaz de suportá-la. Mas os anos se passaram e em 2007 a vida me mostrou que a morte é um momento dificílimo, mas inevitável e que só Deus é capaz de nos consolar. Perdi fisicamente meu primo-irmão e junto boa parte de mim mesma, que jamais consigo recompor.
| Enxergando Deus! O click é de Marcio Rocha |
A saudade e a incompreensão eram tamanhas. Se não fosse a noção de imortalidade da alma, eu não estaria suportando essa saudade. Foi aí que me dei conta de que a morte não precisa do nosso medo e sim da nossa compreensão, do nosso equilíbrio. Em 2010, quando meu avô (pai) precisou partir, a tristeza se aproximou novamente, mas eu já sabia que, para os que se amam, não há morte. Há sim uma breve separação, pois os verdadeiros laços continuam firmes.
A nossa existência é, de fato, cheia de surpresas. Enquanto pessoas vão, outras vêm e assim segue o ciclo da vida. E às vezes esse ciclo é curto para alguns, longo para outros, mas não importa: o ciclo acontece. Por isso, fico pensando: o que vale mesmo na nossa vida? Agora, estamos aqui. Daqui a pouco, talvez não. E o que vale na vida? O que fazemos de (genuinamente) bom para nós e para os outros. Vale o simples, o amor, o bem viver. Vale viver, vale, como disse Renato, "amar as pessoas como se não houvesse amanhã"...